O balanço financeiro da União relativo ao primeiro semestre, publicado no último dia 30 no "Diário Oficial" da União, está sendo usado pela oposição como argumento para reivindicar um reajuste salarial superior aos 20% admitidos pelo governo para o funcionalismo federal. O limite de gastos com a folha de pagamentos previsto na Constituição é de 65% e o balanço revelou que os gastos do governo com o pessoal e encargos salariais, de Cr$1,8 trilhão, não passam de 33% das despesas no período. Ainda assim, os líderes do Executivo insistiam ontem em que não há recursos para a concessão de um reajuste maior. Na contabilidade do Executivo, 53% dos seus gastos, e não 33%, foram destinados ao pagamento dos servidores. No primeiro semestre deste ano o governo gastou exatos Cr$5,7 trilhões. As transferências vinculadas a estados e municípios representaram Cr$2,2 trilhões (38%), enquanto as despesas das operações oficiais de crédito totalizaram Cr$456,7 bilhões (8%). O governo gastou Cr$734,2 bilhões (13%) com custeio e investimentos, e desembolsou ainda Cr$346 bilhões (6%) com contas de 1990, pagas no primeiro semestre, com atraso (O ESP).