O deputado federal César Maia (PMDB-RJ) vai pedir esta semana à Comissão de Orçamento do Congresso Nacional que convoque o secretário de Planejamento, Pedro Parente, para explicar o uso de verbas secretas pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) na área nuclear. Desde o início do governo Collor, foram gastos US$65 milhões do orçamento secreto com pesquisas nucleares e custeio de ex-funcionários do SNI (Serviço Nacional de Informação). Parente é o chefe dos funcionários que cuidam do orçamento da União. Pela Constituição, a Comissão de Orçamento deve fiscalizar o cumprimento dos gastos orçamentários e César Maia, integrante da comissão, considera um abusurdo que o Congresso não seja informado sobre o destino das verbas secretas. A SAE gastou nos sete primeiros meses do ano Cr$496 milhões no pagamento de serviços e componentes eletroeletrônicos. Desse total, Cr$380 milhões foram destinados à empresa Proel, sediada em Nova Iorque (EUA), e que durante anos foi dirigida por um militar da reserva. Embora não apareça nos organogramas oficiais, a Proel foi constituída na época do antigo SNI com recursos de caráter secreto e tem como função principal atuar como braço no exterior do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Comunicações (CPesq), vinculado à SAE. O CPesq foi criado, no regime militar, com o propósito de desenvolver tecnologia própria para as operações da comunidade de informações. A maior parte dos componentes adquiridos pela SAE na Proel tem como utilização principal a miniaturização de circuitos eletrônicos (JB).