O Brasil conta com empréstimos de US$5 bilhões aprovados pelo BIRD (Banco Mundial), mas que não estão sendo desembolsados porque o país não cumpre as contrapartidas previstas nos contratos. De acordo com o BIRD, nos últimos anos acumularam-se os problemas na execução dos projetos, provocando descontinuidade na liberação dos recursos. Esses US$5 bilhões não estão definitivamente perdidos, mas deixam de chegar ao Brasil de acordo com um fluxo ordenado, comprometendo a execução de importantes obras sociais e de infra-estrutura. São, também, recursos importantes para fechar o balanço de pagamentos. O diretor do Departamento de Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, embaixador José Arthur Denot Medeiros, evita comentar os números. Mas reconhece que, em decorrência das restrições orçamentárias impostas pela política de combate à inflação, "todos os projetos com o BIRD terminam tendo algum tipo de problema". Ao conceder um empréstimo, o BIRD exige que, para cada dólar emprestado, haja a colocação da mesma quantia em moeda nacional para a execução do projeto. Raramente essas exigências são cumpridas à risca pelo Brasil. O Brasil pretende obter pelo menos US$2 bilhões do Banco Mundial, no ano fiscal de 1992, que vai de julho deste ano a junho do ano que vem. Se conseguir mesmo os US$2 bilhões que pretende, o Brasil estará próximo do limite de empréstimos admitido a um único país. Por esse critério, cada país pode tomar, anualmente, até 10% da carteira total de empréstimos. No ano fiscal encerrado em 30 de junho, o BIRD aprovou empréstimos no valor global de US$22,7 bilhões. No ano fiscal de 1990, o Brasil conseguiu do BIRD US$1,57 bilhão, e em 1991, apenas US$955 milhões (O Globo).