Se a ONU der o seu aval, três índios deverão ir a Genebra (Suíça) no próximo dia 12 de agosto, para participar das discussões preparatórias da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. O Comitê Intertribal-- 500 Anos de Resistência já elaborou um documento com propostas e indicou Marcos Terena, Daniel Capixi e Pedro Cornélio para representá-lo na reunião. Os três são conselheiros e atuam como educadores biculturais e ambientais em suas aldeias. Os debates em Genebra serão divididos em três temas-- água, floresta e atmosfera--, daí a necessidade de três representantes. Mas as intenções dos índios brasileiros vão mais longe. Segundo Terena, eles buscam uma participação conjunta com os índios de toda a América (incluindo o extremo norte do Canadá) e também o norte da Finlândia, Suécia, Noruega e até Rússia. O líder indígena esclarece que "não queremos ser considerados como ONG (Organização Não-Governamental) nem como oficiais, mas como povos que dominam uma tecnologia de relação com a natureza". As propostas do documento de Genebra são as seguintes: -- "Temos uma concepção própria, passada de pai para filho, de que a natureza e o homem interagem de forma conjunta e não em separado, o que nos permite conviver com leis da natureza que coincidem com as recomendações mais recentes dos ambientalistas e naturalistas". -- "As ambições desenfreadas do falso desenvolvimento nos colocam como meros obstáculos ao progresso. A partir de agora, queremos estabelecer novas fórmulas de intercâmbio na relação com a sociedade envolvente, que nos conduza a uma autosuficiência e posterior autodeterminação". -- "Todo processo de elaboração de políticas dirigidas às Nações Indígenas deve contar com a participação e a coordenação direta de seus membros nas tomadas de decisão, tanto a nível internacional como nacional". -- "Para garantir o respeito à nossa autodeterminação e ao nosso sistema de organização, os governos devem reconhecer e aplicar as políticas de direitos humanos, territoriais, culturais, espirituais". -- "Deve-se consolidar os direitos dos povos indígenas sobre sua propriedade intelectual, a biodiversidade das áreas que ocupam, seus usos científicos, técnicos e econômicos" (JB).