Preocupados em não deixar o presidente Fernando Collor de Mello e o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), "brilharem" sozinhos na Rio-92-- a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente--, os partidos políticos já iniciaram uma rigorosa fase de preparação para o evento. Com sede no Rio de Janeiro, domínio de Brizola, a Rio-92 vai antecipar em maio a disputa que os partidos terão em outubro-- a das eleições municipais. "Não podemos deixar o Collor fazer o seu marketing sozinho", diz o presidente do PMDB, Orestes Quércia. O ex-governador vai cobrar uma participação "decente" do seu partido. Escalou a deputada Rita Camata (PMDB-ES) para comandar uma comissão especial encarregada de cuidar do assunto. A Eco-92 é tão importante quanto a eleição para nós diz a deputada. O PMDB vai patrocinar a estapa brasileira de uma pesquisa internacional que será feita pelo Instituto Gallup sobre os problemas ecológicos de todo o mundo. A Conferência já rendeu, em verbas federais a garantia de pelo menos US$100 milhões para o governo Brizola tocar obras consideradas essenciais para que a cidade do Rio de Janeiro receba melhor os 40 mil visitantes previstos para a Rio-92. O PT, PSDB, PCB e o PV (Partido Verde), também se articulam para a disputa do espaço ecológico. Uma das preocupações do PSDB é a montagem de um projeto sobre o futuro da Amazônia como fonte da farmacologia internacional. O "direito intelectual" sobre as descobertas nessa área terá atenção especial do PSDB. Principais pontos das propostas: PMDB-- vai patrocinar a etapa brasileira de uma pesquisa internacional sobre problemas ecológicos de todo o mundo; PT-- vai colher dos "conselhos populares" do partido sugestões e temas para montar a "Eco petista"; PSDB-- tenta emplacar em agosto no Congresso a proposta de formação de uma comissão mista para estudar temas que serão levados à Rio-92; PCB-- vai explorar o seu projeto "Eco-Baixada" na tentativa de chamar a atenção dos conferencistas sobre os problemas típicos do "quarto mundo"; PV-- pretende reunir no Rio de Janeiro, no início do próximo ano, representantes do "verdes" de todo o mundo para ensair discussões para a Rio-92 (FSP).