O presidente Fernando Collor disse ontem que o governo está empenhado em buscar a isonomia salarial entre os três Poderes, "para corrigir injustiças", mas disse que isto tem de ser feito de maneira gradual. "Não pode ser de bate-pronto, pois inviabilizaria totalmente o caixa do Tesouro e poria por terra o plano de estabilização econômica", explicou. Collor afirmou que a isonomia, hoje, faria a folha de pagamentos da União ser multiplicada por cinco, e pediu paciência aos servidores. O presidente classificou como "uma verdadeira bagunça" as cerca de 80 tabelas salariais do funcionalismo, e disse que "há uma grande diferença entre o que se quer fazer e o que se pode". Collor acha que reivindicar reajustes de "500% ou 600% é como pregar no deserto, pois todos sabem que tais índices são impossíveis de serem concedidos" (JC).