ENTIDADES CONDENAM VIOLÊNCIA NO CAMPO

As entidades que integram o Fórum Contra a Violência no Campo, reunidas ontem em Brasília, condenaram todas as formas de violência contra os trabalhadores rurais, através de manifesto à população. No documento, divulgado no Dia do Lavrador, as entidades denunciaram os assassinatos que acontecem na maioria dos estados, a prisão ilegal de trabalhadores sem- terra e o trabalho escravo em fazendas do Pará, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. O manifesto enfatiza que o Dia do Lavrador lembra a trajetória de violência, mutilações e o abandono a que ainda está condenada a população rural. "Além das endemias, do analfabetismo, do isolamento social, a violência agride nossos irmãos do campo, porque atinge seletivamente trabalhadores, líderes sindicais, religiosos, políticos e advogados ligados aos movimentos sociais rurais", diz o manifesto. A impunidade em vários assassinatos, perseguições e trabalho escravo, segundo o manifesto, fazem do campo um palco de conflitos e violência. Para o Fórum, essa situação decorre de uma estrutura fundiária injusta, que marginaliza milhões de trabalhadores, privilegiando um número reduzido de donos de terras e grileiros que aumentam seu patrimônio com a colaboração do Estado, que, quando intervém, "protege os autores da violência". Compõem o Fórum as seguintes entidades: OAB, ABI, FENAJ, CUT, CPT, CNBB, CONTAG, Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Instituto de Apoio Jurídico Popular, Movimento Sem-Terra, Núcleo de Estudos de Violência da USP, Comissão de Justiça e Paz e Comissão Teotônio Vilela (JC).