PROPOSTA DE DEMARCAÇÃO DAS TERRAS YANOMANI

O ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, receberá hoje a proposta da FUNAI para a demarcação das terras yanomanis, nos Estados do Amazonas e de Roraima. O ministro terá 30 dias para avaliar a proposta. A relatora do parecer da FUNAI, a antropóloga Isa Maria Pacheco Rogedo, apontou como fatores responsáveis pelo processo de miséria e morte dos índios a construção da BR-210 (Manaus-Caracaraí) e o Projeto Radam, que divulgou as riquezas da região amazônica, na década de 70. Pela proposta da FUNAI, cujo estudo foi iniciado em 1984, as terras yanomanis a serem demarcadas estão nos Municípios de Santa Isabel do Rio Negro (AM) e Boa Vista, Alto Alegre, Mucajai e Caracaraí, em Roraima. Dizimada pela presença de mais de sete mil garimpeiros em suas terras, a população yanomani está estimada hoje em menos de 10 mil pessoas no Brasil (a maior parte, mais de 12 mil, vive na Venezuela). No parecer entregue à FUNAI, a antropóloga mencionou todas as tentativas anteriores de demarcar as terras yanomanis, feitas desde 1969, que não tiveram resultado prático e acabaram levando à situação em que se encontram hoje os índios. O "Diário Oficial" da União de ontem publicou resolução do presidente da FUNAI, Sydney Possuelo, aprovando a delimitação da Terra Indígena Yanomani com 9.419.108 hectares de terras contínuas, em Roraima. A portaria desencadeia o processo de demarcação a cargo do Ministério da Justiça. Também foi aprovada a delimitação de um perímetro de 3.071 quilômetros para a área indígena dos índios mayongong, em Roraima (O ESP) (FSP).