O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) negocia, na próxima semana, em Paris, o aumento de seu capital para os próximos 4 anos. O BID quer US$20 bilhões. Caso seja aprovado, o banco poderá elevar dos atuais US$400 milhões para até US$1 bilhão o total de empréstimos concedidos anualmente ao Brasil. Os EUA, no entanto, estão sugerindo um capital de apenas US$13 bilhões (comparado a US$15 bilhões no último quadriênio); querem um aumento de sua participação nas decisões do banco (criação de uma espécie de "mini-conselho diretor"), com o qual teriam controle, com poder de filtro e de veto sobre as operações do BID; e um maior engajamento do banco no processo de ajustamento dos países devedores, no contexto do chamado "Plano Baker". Em Paris deverá ser examinado, também, uma nova forma de atuação dos membros do BID para a concessão de empréstimos, pela qual seria permitido que 2 ou 3 diretores pudessem pedir que qualquer tema, já examinado e aprovado anteriormente pelo conselho, voltasse a ser examinado. Não seria um veto, mas acabaria com o automatismo na tomada de decisão pelo conselho diretor: em cada caso seria preciso negociar a unanimidade de posições, para evitar protelações nas decisões. Os compromissos de empréstimos do BID caíram de US$3,5 bilhões em 1984 para US$3,08 bilhões em 1985, e devem ficar em US$3 bilhões este ano. Os desembolsos efetivos evoluíram mais lentamente e US$11 bilhões do que já foi comprometido em empréstimo aprovado ainda não foram desembolsados. Desse total, US$8 bilhões se explicam pela maturação lenta dos projetos e US$3 bilhões se devem ou à falta de contra-partida local ou a problemas nos projetos (GM).