Cresce o número de mendigos que perambulam pelas ruas de São Paulo. A constatação do aumento da miséria absoluta é das três principais instituições que cuidam de indigentes na cidade: Prefeitura, CETREN (Centro de Triagem e Encaminhamento, da Secretaria Estadual de Promoção Social e Trabalho) e Igreja Católica. A diretora do CETREN, Dolores Silva Novaes, diz que depois que o Plano Collor entrou em vigor, em março do ano passado, o número de indigentes que procurou a instituição cresceu cerca de 30%. "A porta do CETREN é o termômetro da miséria do país", afirma. De janeiro a junho do ano passado, foram atendidos no CETREN 45.545 indigentes. Em 1991, no mesmo período, o número de mendigos que procurou o CETREN foi de 59.881 (aumento de cerca de 30%). Cerca de 56% dos mendigos de São Paulo estão na rua há menos de seis meses. Além disso, 35,8% dos pontos de aglomeração de indigentes no centro foram formados há cerca de um ano. A Arquidiocese de São Paulo divulga até o final do mê um documento onde responsabiliza o governo e o "capital internacional" pela miséria no país. Para a Igreja, a dívida externa é uma das causas do aumento de indigentes nas ruas de São Paulo (FSP).