O governo prepara uma série de medidas para tentar evitar um déficit operacional do setor público. As principais pressões nas contas públicas vêm das empresas estatais, principalmente as ligadas ao setor elétrico, que estão com rombo de caixa. Estimativas iniciais dos técnicos da área econômica apontam para a possibilidade de um déficit neste ano ao redor de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a US$7 bilhões. Outra preocupação do governo é a queda de arrecadação de impostos. A situação piorou com a edição da medida provisória 297, que desindexou os impostos da Taxa Referencial Diária (TRD). Essa taxa era usada para corrigir a defasagem da inflação até a data de recolhimento do tributo. Na prática, o déficit (gastos acima do dinheiro disponível no caixa) ainda não existe. O que alarma o governo é a possibilidade de fechar o ano com déficit, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando foi registrado um superávit operacional de 1,2% do PIB. O Ministério da Economia planeja trabalhar em duas frentes: uma conjuntural (de curto prazo) e outra estrutural (de longo prazo). Uma providência considerada urgente é um maior controle dos gastos das estatais. Outra medida tida como necessária pelos técnicos é o acompanhamento dos gastos de estados e municípios. Os ministérios continuarão submetidos ao controle de gastos imposto ainda na gestão da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello (FSP).