Os líderes dos 21 países íbero-americanos encerraram ontem sua primeira reunião de cúpula divulgando um comunicado no qual defendem "a democracia e o pluralismo" mas evitam criticar diretamente o regime socialista de Cuba. O documento, batizado de "Declaração de Guadalajara", afirma que a comunidade íbero-americana está baseada "nos princípios da não- ingerência e da autodeterminação dos povos e nos modelos autônomos de desenvolvimento". Na sessão plenária da reunião, o presidente Fernando Collor propôs "uma nova ética", baseada na reciprocidade, nas relações econômicas entre os países ricos e pobres. Em todos os seus pronunciamentos, Collor se prendeu à idéia de que é necessária uma nova ordem mundial em que os esforços dos países do sul ao abrir suas economias tenham uma contrapartida concreta do norte rico. Collor defendeu também uma política de preservação da Amazônia, enfatizando que a pobreza é uma das grandes causas da degradação ambiental na América Latina. Nos atos mais substanciais paralelos ao encontro de Guadalajara, Brasil e Argentina assinaram um tratado que estabelece um sistema de verificação mútua de instalações e equipamentos nucleares e Chile e Colômbia reataram relações diplomáticas com Cuba. Os próximos encontros serão na Espanha, em 1992, e Brasil, em 1993 (O ESP) (JC) (FSP) (O Globo).