REUNIÃO DO MÉXICO COMEÇA SEM DEFINIÇÕES

Os discursos dos chefes de governo de 23 países na abertura da 1a. Reunião Ibero-Americana ontem, em Guadalajara (México), se restringiram à exaltação dos laços culturais e às possibilidades de cooperação. Os chefes de governo ainda não sabem se o encontro representa a criação de uma comunidade de nações, a primeira de uma série de conferências ou uma simples reunião. Nos sete minutos que lhe couberam, o presidente Fernando Collor repetiu a preocupação com o papel dos países íbero-americanos na reorganização internacional. O aguardado discurso de Fidel Castro também não teve novidades. Após a conversa com Fidel, Collor disse que o Brasil estará atento a pedidos de ajuda de Cuba. O presidente Fernando Collor afirmou também que o diálogo entre Brasil e Cuba jamais será influenciado por pressões para que o sistema político de Havana promova mudanças. O encontro íbero-americano termina hoje com a divulgação de uma declaração conjunta de 15 páginas. A necessidade de se criar mecanismos que possam tornar a ONU (Organização das Nações Unidas), até o final deste século, um organismo confiável e realmente representativo dos interesses de toda a comunidade internacional, foi um dos principais assuntos abordados ontem pelo presidente Collor nos encontros separados que manteve com o primeiro-ministro da Espanha, Felipe Gonzales, e os presidentes da Colômbia, César Gavíria, de Portugal, Mário Soares, e Cuba, Fidel Castro. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, a tese é de que é necessário criar mecanismos de segurança coletiva e formas de cooperação mais confiáveis, igualitários e democráticos. No caso específico da ONU, o Brasil entende que é necessário mostrar à opinião pública internacional que o organismo está a serviço de todos os países, não apenas para servir os interesses de um restrito grupo de países (O ESP) (JC) (JB).