O presidente Fernando Collor ficou irritado com as declarações do chefe da missão do FMI (Fundo Monetário Internacional), José Fajgembaum. "Mande reformar a casa dele", disse Collor em Guadalajara (México), referindo-se à afirmação de Fajgembaum de que o país só conseguirá obter um acordo de longo prazo com o Fundo se concluir uma série de reformas econômicas que exigem mudanças na Constituição. O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, considerou as declarações uma intromissão nos assuntos internos do país e exigiu esclarecimentos do presidente do Banco Central, Francisco Gros, interlocutor do governo nas negociações com o FMI. O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), também reagiu às declarações do representante do FMI: "Estou inconformado com isso, que é a prova de que nós estamos submetidos ao sistema de regras e até mesmo de nomenclaturas". "Não admito que os técnicos do organismo cheguem aqui para ditar regras nos problemas que dizem respeito apenas aos brasileiros", afirmou. O líder do PCB na Câmara, deputado Roberto Freire (PE), sugeriu a expulsão do Brasil do coordenador da missão do FMI, devido às suas declarações (O ESP) (JC) (O Globo).