Se tudo correr de acordo com o previsto, o Rio de Janeiro vai sediar em 1992 não apenas a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Desenvolvimento mas também uma reunião paralela dos governantes das sete nações mais ricas do mundo, com a eventual participação do presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev. O comunicado oficial, distribuído ontem após a reunião dos líderes, em Londres (Inglaterra), no entanto, não levanta formalmente essa possibilidade. Mas o primeiro-ministro britânico, John Major, e o chanceler da Alemanha, Helmut Kohl, disseram que todos eles têm a intenção de participar pessoalmente da conferência. Nós, do G-7, iremos ao Rio e não podemos sair do Brasil de mãos
39494 vazias, disse Kohl. Para a Rio-92, os sete prepararão dois tratados: um para limitar a emissão dos gases que provocam o efeito estufa; outro para conservar as florestas tropicais. O comunicado foi considerado muito vago no que diz respeito ao programa- piloto de conservação da Floresta Amazônica, porque não especifica o que foi endossado pelos sete dirigentes e se eles estão mesmo dispostos a conceder os US$1,5 bilhão previstos no projeto elaborado pelo BIRD (Banco Mundial), pela CEE (Comunidade Econômica Européia) e pelo governo brasileiro. O G-7 aprovou apenas a liberação de US$50 milhões referentes à fase preliminar (avaliada em US$250 milhões) do projeto ambiental brasileiro. Quando os detalhes restantes da proposta estiverem definidos, os países ricos avaliarão a possibilidade de novos financiamentos, através de negociações bilaterais. "Se nós formos bem-sucedidos na implementação preliminar, vamos em frente e atingiremos o compromisso inicial de US$1,5 bilhão", disse o presidente da Comissão Européia, Jacques Delors. A "Friends of the Earth" e o Grupo de Trabalho Amazônico Brasileiro, que representa 14 ONGs (Organizações Não-Governamentais), disseram depois da reunião de cúpula que vão continuar sua campanha de obtenção de recursos para o projeto-piloto junto aos governos mais simpáticos à iniciativa-- Itália, Alemanha, Canadá e Grã-Bretalha. Os chefes de Estado do G-7 (EUA, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Itália e Canadá) comprometeram-se ainda a concluir "satisfatoriamente" a Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) até o final deste ano. O G-7 comprometeu-se também em ampliar o perdão da dívida dos países muito pobres "bem além do perdão garantido nos termos (da reunião) de Toronto". O G-7 ofereceu uma parceria para integrar a União Soviética na economia internacional. Ela envolverá assistência técnica e mecanismos permanentes de consultas, mas não recursos (JC) (GM) (FSP).