Nos últimos seis anos, entre 1985 e 1990, o Brasil remeteu aos seus credores externos US$54,48 bilhões a mais do que recebeu. O valor corresponde a 44,6% do total da dívida externa brasileira, estimada pelo Banco Central em US$122 bilhões até dezembro do ano passado. Os números constam do Relatório Anual de 1990, divulgado ontem pelo BC. No ano passado, o Brasil remeteu US$4,7 bilhões a mais do que recebeu. Só ao FMI (Fundo Monetário Internacional), que inicia hoje em Brasília uma nova rodada de inspeção nas contas brasileiras, o país remeteu US$936 milhões líquidos. No mesmo ano de 90, o país pagou aos bancos comerciais cerca de US$1,9 bilhão em amortizações do principal de sua dívida. Mesmo assim, o mercado de créditos para empréstimos bancários de longo prazo
39423 continuou fechado ao país, anota o relatório do BC. A suspensão das remessas de dinheiro novo foi uma represália dos bancos ao não-pagamento dos juros da dívida pelo Brasil. Até o final de 90, de acordo com o BC, o acumulado de juros atrasados era de US$8,87 bilhões. A dívida do Brasil com o FMI, conforme posição de dezembro do ano passado, alcançou US$2,206 bilhões. Só em amortizações, foram desembolsados pelo país em 90 US$741 milhões, enquanto para este ano o pagamento de principal previsto está estimado em US$652 milhões. Os juros devidos ao FMI estão em torno de 8% ao ano (FSP) (GM).