CRÉDITO PARA HABITAÇÃO CAIU 23,7% EM 1990

Apesar das promessas de campanha, a política habitacional do governo Collor não apresentou até agora um desempenho satisfatório. Dados do relatório anual do Banco Central, distribuído ontem, mostram que o saldo dos empréstimos para construção e compra da casa própria caiu 23,7% no ano passado, já descontada a inflação. Em 1990, os agentes financeiros acumularam empréstimos no valor de Cr$5,6 trilhões, ainda longe da necessidade do país, que tem déficit de 10 milhões de moradias. De acordo com o relatório, o pequeno volume de recursos destinados à habitação teve como causas a retração dos agentes financeiros em consequência das incertezas da política econômica e do desvio de parte da captação das cadernetas de poupança para o crédito agrícola. A queda dos empréstimos atingiu tanto o setor público quanto o privado, que sofreram juntos perda de 16,3% na oferta de crédito. Só o crédito rural apresentou desempenho positivo, de 19,6%. No final de 1990, o saldo dos empréstimos rurais era de Cr$1,3 trilhão (O ESP).