Mais duas parcelas dos juros atrasados da dívida externa do setor público com os bancos comerciais devem ser pagas pelo Brasil esta semana. É o próximo passo da renegociação da dívida brasileira. Desde o início do processo, em outubro de 90, o governo alterou sua estratégia três vezes. As parcelas somam US$331,8 milhões e só podem ser desembolsadas após a concordância de 95% das instituições credoras com o acordo firmado com o comitê assessor no final de junho. O acordo sobre os atrasados prevê pagamento, até dezembro, de US$1,1 bilhão em sete prestações. Dez dias após a assinatura do acordo, foi feito um desembolso inicial que representou 541 ordens de pagamento em 13 moedas distintas emitidas nos dias 1o. e 2 de julho, somando US$887,2 milhões. A ele, se seguiu o circuito de visitas já tradicional nas negociações com os bancos credores, empreendido pelo negociador oficial da dívida externa, Pedro Malan, que esteve em Tóquio, Frankfurt, Paris, Londres e Nova Iorque. Sua missão era a de obter a concordância das centenas de instituições em relação ao acordo dos juros atrasados, firmado com os 20 bancos que compõem o comitê assessor, pré-requisito essencial para os pagamentos a serem feitos esta semana. Malan voltou ao Brasil no último dia 12 e a semana se encerrou sem que fosse anunciada oficialmente a concordância de 95% dos credores. No entanto, o presidente do comitê assessor de bancos credores, William Rhodes, considerava o êxito da empreitada uma questão de tempo (FSP).