RISCO DE DÉFICIT AMEAÇA ACERTO COM FMI

A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que começa a trabalhar em Brasília nesta semana encontrará o Departamento do Tesouro Nacional na sua pior situação para equilibrar receitas com despesas incomprimíveis desde a edição do Plano Collor I, em março de 90. A situação se agrava com a perspectiva de perda de Cr$350 bilhões em 91 em função do fim da atualização dos impostos pela Taxa Referencial Diária (TRD). O Tesouro encontra dificuldades para evitar um déficit em 91, mesmo com as despesas praticamente limitadas aos gastos incomprimíveis, como pagamento do funcionalismo federal e encargos das dívidas interna e externa. Um dos principais argumentos que a equipe do ministro Marcílio Marques Moreira vai utilizar junto à missão do FMI, chefiada pelo diretor da Divisão do Atlântico, Thomas Reichman-- cuja visita ao Brasil foi antecipada-- é o fato de a inflação não ter explodido apesar do descongelamento de preços. O Ministério da Economia, mesmo com os indicativos de que a inflação de julho vai atingir a marca de dois dígitos (em torno de 10%), considera um bom trunfo nas negociações o fato de os índices não repetirem a experiência dos planos anteriores, com taxas em torno de 20% alguns meses depois de adotados (FSP).