A REPERCUSSÃO DO PACOTE AGRÍCOLA

Pequenos e grandes produtores reagiram de modo diferente ao pacote agrícola anunciado anteontem pelo governo. No geral, as medidas adotadas agradaram os grandes. Já os pequenos fazem várias restrições, principalmente à nova política de crédito e à reclassificação dos agricultores por faixa de renda. O presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), Antônio Salvo, criticou o sistema de crédito. Segundo ele, os bancos captam recursos do Tesouro e de depósitos à vista a custo zero, ou recursos da poupança a 6% ao ano, e repassam num mix de juros reais médios que vai a 15%. Ele calcula que o financiamento de Cr$1,19 trilhão vai render remuneração de cerca de Cr$180 bilhões aos bancos. Ele gostou da sobretaxa compensatória para produtos agrícolas subsidiados e da reativação do Proagro, isenção do IPI e extinção do Finsocial. Para Mário Farina, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Erechim (RS), que reúne pequenos proprietários de terra, a reclassificação dos produtores dificulta o acesso do pequeno agricultor ao crédito. Segundo ele, o limite de Cr$14 milhões de renda anual em 91 aumentou o número de produtores classificados como pequenos. A FARSUL (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) acha que são insuficientes os recursos anunciados pelo governo para financiar a produção agrícola. "A situação pode ser agravada em função do escalonamento", disse o diretor da entidade, Cláudio Dario Lopes (FSP).