O presidente Fernando Collor anunciou ontem a cerca de 10 mil pessoas-- entre as quais 150 prefeitos do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo--, reunidas em Presidente Prudente (SP), uma nova etapa no seu relacionamento com o governo de São Paulo. "Lá no Palácio do Planalto o senhor tem um presidente que eu gostaria que considerasse um amigo seu", disse Collor, dirigindo-se ao governador Luiz Antônio Fleury (PMDB). O discurso de Collor, elogiado por Fleury, foi precedido da divulgação do Plano Nacional Agrícola (PNA) e da liberação de recursos da ordem de Cr$1,19 trilhão para o setor. A aproximação entre Collor e Fleury deu continuidade à estratégia montada no Palácio do Planalto para isolar o presidente nacional do PMDB, ex-governador Orestes Quércia. "O sucesso da administração Fleury é o maior adversário de Quércia", disse um dos articuladores do plano, o secretário nacional de Desenvolvimento Regional, Egberto Baptista. Pelo menos dois prefeitos assinaram as fichas de filiação ao PRN, partido do presidente Collor, durante o encontro de ontem. São eles: Newton Rodrigues da Silva, de Teodoro Sampaio, ex-PDS, e João Augusto de Almeida, de Mirante do Paranapanema, ex-PFL, ambos no Estado de São Paulo. O presidente Fernando Collor afirmou que mais importante do que "trocar favores" é ter o objetivo comum de trazer contribuições para solucionar as dificuldades enconômicas que o país enfrenta. Collor disse que a política do "é dando que se recebe" não existe. "O que existe é todos nós trabalhando para o progresso do interior dos nossos estados; não quero mais troca de favores". Ao reafirmar seu compromisso com a agricultura, Collor disse que "apesar de o governo estar dando um grande avanço, sei que não é exatamente tudo aquilo que vocês desejam, mas é aquilo que humanamente nós estamos podendo fazer" (O ESP) (JC) (GM) (FSP).