DÍVIDAS TRABALHISTAS DAS ESTATAIS JÁ CHEGAM A CR$572 BILHÕES

Os planos econômicos do governo Sarney transformaram-se em uma espécie de sentença de morte para as grandes empresas estatais. Por causa dos Planos Bresser e Verão, baixados em junho de 1987 e janeiro de 1989, respectivamente, os setores de telefonia, correios, energia elétrica e a RFFSA têm dívidas trabalhistas que totalizam cerca de US$1,8 bilhão (Cr$572 bilhões pelo câmbio comercial). A maior dívida, a do Sistema TELEBRÁS, chega a Cr$324 bilhões. Este volume representa 25% dos investimentos do sistema programados para este ano, incluindo a EMBRATEL. Para a TELEBRÁS, no entanto, este número não ultrapassará Cr$226 bilhões, se todas as ações trabalhistas forem favoráveis aos trabalhadores. Esses números, porém, não incluem os funcionários da administração direta (Ministérios e autarquias) que lutam na Justiça pelos reajustes referentes aos dois planos e mais as Unidades de Referência de Preços (URPs) de abril e maio de 1988, que acumulam 46%. Cálculos de entidades sindicais dos servidores públicos federais indicam que cada funcionário que recorreu terá direito a quatro salários médios (Cr$70 mil), corrigidos desde 1988, somente com as URPs (O Globo).