Missionários protestantes norte-americanos e canadenses, principalmente, omitiram deliberadamente dezenas de mortes entre grupos indígenas brasileiros, manipularam dados de saúde e, por isso mesmo, serão expulsos de áreas indígenas do país. As missões religiosas estrangeiras que atuam em reservas indígenas em todo o território nacional estão sob investigação. O presidente da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), Sídnei Possuelo, com base no relatório enviado na semana passada pela antropóloga Dominique Galloois, da USP (Universidade de São Paulo), já decidiu expulsar a missão norte-americana Novas Tribos (New Tribes) da área indígena Cuminapanema, dos índios poturus, no oeste do Pará. Os poturus, que viviam isolados, com o conhecimento da FUNAI, tiveram as terras invadidas por missionários da New Tribes. Os missionários entraram na reserva sem autorização da FUNAI e vinham omitindo mortes de índios por doenças pulmonares, típicas do pós-contato com o branco. Em Roraima, no extremo norte do país, a situação se repete: a Missão Evangélica da Amazônia (Meva) manipulou dados sobre casos de malária entre os índios yanomanis, do subtrupo Sanumá, na região de Auaris, na Serra Parima, a poucos quilômetros da fronteira com a Venezuela (JB).