O crescimento desenfreado dos principais centros industriais do Estado do Rio Grande do Sul criou uma situação de guerra em algumas cidades. As prefeituras bloqueiam levas de retirantes procedentes do interior empobrecido. Importantes centros coureiro-calçadistas do Vale dos Sinos (região metropolitana), como São Leopoldo e Nova Hamburgo, chegaram a montar aparatos pára-policiais para mandar os migrantes de volta à origem. Era isso ou o caos, alegam os administradores, ao serem indagados sobre o direito de ir e vir, assegurado pela Constituição. O caso de Novo Hamburgo é típico. Em menos de uma década, o município saltou de uma população de 100 mil habitantes para 300 mil. Em São Leopoldo, o progresso da indústria coureiro-calçadista, a partir dos anos 70, chegou com a decadência agrícola. Em menos de 20 anos, o estado experimentou uma transformação brutal em seu perfil demográfico e, hoje, 85% da população vivem nas cidades, 75% na região metropolitana (O Globo).