O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) destinou US$27,7 milhões (Cr$8,8 bilhões, pelo câmbio comercial) para sanear a Mafersa e a Companhia Siderúrgica do Nordeste (COSINOR). A informação foi dada ontem pelo presidente do banco e da Comissão Diretora do Programa Nacional de Desestatização, Eduardo Modiano, que anunciou também que o leilão de venda da Companhia Eletromecânica Celma poderá ser marcado para 15 de outubro. O valor econômico da Mafersa, que Modiano não divulgou, seria inferior ao das suas dívidas (US$50 milhões, ou Cr$15,95 bilhões). Por isso, sem o saneamento a estatal não encontraria comprador. O BNDES emitiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs), no valor de US$21 milhões (Cr$6,7 bilhões), e os entregou aos credores da estatal. O restante dos débitos foi renegociado, com deságio médio de 25%. Na COSINOR, o BNDES fez um aporte de capital de US$6,7 milhões (Cr$2,1 bilhões), para sustentar as operações da empresa até a venda. O dinheiro não será recuperado, admitiu o diretor do BNDES Sérgio Zendron. Restam à estatal dívidas em torno de US$6 milhões (Cr$1,9 bilhão), já renegociadas para prazos mais longos que os originais. A reorganização da Mafersa, COSINOR e Aços Finos Piratini (na qual não foi colocado dinheiro novo), com vista à privatização, envolveu operações no valor de US$114 milhões (Cr$36,36 bilhões). Houve um encontro de contas, no valor de US$86,3 milhões (Cr$27,5 bilhões), através do qual boa parte da dívida das três empresas desapareceu, porque elas tinham débitos com empresas-- privadas ou não-- que, por sua vez, deviam à União. Um exemplo ocorreu com a Aços Finos Piratini, que devia a um banco, que devia aportar capital na USIMINAS. A USIMINAS, por seu turno, devia à SIDERBRÁS, que devia à Piratini. No encontro de contas, o débito desapareceu. No caso da Piratini, sumiram do seu passivo, com tais operações, US$35 milhões (Cr$11,16 bilhões). A estatal ainda tem US$35 milhões de débitos a serem renegociados com bancos. De acordo com Zendron, o encontro de contas que acontece em todas as empresas mostra haver uma "nuvem de capital" na economia que no fundo não existe. O governo, afirmou, na verdade não possuía os ativos que pensava. Representantes do governo, das entidades industriais e do mercado financeiro participaram ontem de um almoço com integrantes da Comissão Diretora e diretores do BNDES, na sede do banco. Modiano explicou as diversas etapas em que se encontram as empresas incluídas no programa de privatização (JC).