O INCRA encaminhou a relação de um milhão de hectares para o Ministério da Agricultura, para ser anunciada pelo presidente Fernando Collor em seu programa de reforma agrária. Mas, pelo menos 403 mil hectares desse total são de terras em situação irregular-- nessa área caberiam quase três vezes a cidade de São Paulo. As irregularidades estão concentradas no Estado do Mato Grosso, onde três glebas, no total de 403 mil hectares, pertencem à empresa Cotriguaçu, do Paraná. As terras estão localizadas nos municípios de Alta Floresta e Juruena. Com base em parecer favorável do INCRA, as terras foram incluídas na lista para desapropriação e inseridas na meta de Collor de entregar, este ano, um milhão de hectares para colonos. Ocorre que as terras foram doadas à Cotriguacu em 1978 pelo governo do Mato Grosso. Mas com uma condição: a empresa deveria colonizá-las. Do contrário, voltariam ao poder público. A empresa foi favorecida por duas prorrogações para que pudesse cumprir o contrato. O prazo fatal encerra-se em 1993 e, até agora, nada foi construído nos 403 mil hectares-- a empresa admite não ter recursos para tocar as obras. Portanto, o presidente Collor desapropriaria terras que vão voltar ao governo do Mato Grosso. Resultado: a Cotriguaçu ganharia dinheiro com terras que lhe foram doadas. O ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, reconheceu que 403 mil hectares da lista de desapropriações estavam em situação irregular, assegurando, porém, que eles serão excluídos (FSP).