GENERAIS CRITICAM CONGRESSO E PEDEM MELHORES SALÁRIOS

Os ministros do Exército, general Carlos Tinoco, da Aeronáutica, brigadeiro Sócrates Monteiro, e da Marinha, almirante Mário César Flores, redigiram comunicado dirigido aos oficiais das três Forças, em que afirmam haver assistido "constrangidos, na última quinta-feira (27), a um espetáculo inusitado: um grande número de congressistas aplaudindo a rejeição da Medida Provisória 296 em regozijo pela derrota do Poder Executivo, que viu negada sua pretensão de ordenar a desordem salarial de seus quadros". Os ministros afirmam que "o aumento dos servidores do Congresso", concedido depois da rejeição da PM 296, "ampliou o injustificável e inconstitucional fosso salarial que separa militares, e a grande maioria dos servidores do Legislativo e do Judiciário, o que não é junto nem politicamente saudável". O comunicado estará hoje em todos os boletins militares, para tentar tranquilizar as tropas. Antes de divulgar o pronunciamento, os ministros o submeteram à aprovação do presidente Fernando Collor. O presidente do Congresso Nacional, senador Mauro Benevides (PMDB-CE), divulgou nota considerando as críticas dos militares uma "demonstração de inconformismo". O presidente da Federação das Associações dos Militares da Reserva (FAMIR), Antônio de Souza Garcia, disse, em Brasília, que a divulgação do documento acusando o Congresso de pouco sensível à questão salarial é um "jogo de cena" para desviar a atenção da tropa do verdadeiro responsável pela situação das Forças Armadas: o governo e a equipe econômica. "Os ministros militares deveriam ser mais autênticos e mostrar quem são os verdadeiros culpados", disse (JB) (O Globo) (FSP).