De cada mil crianças que nascem no Brasil, apenas 87 conseguem completar o primeiro aniversário. Com sete anos de idade, existem pelo menos cinco milhões de crianças desnutridas no país. São nada menos que 11 milhões de meninos vivendo nas ruas. Daqueles que chegam aos bancos escolares, 14 milhões de crianças são portadoras do bócio endêmico, causado pela falta de iodo no organismo. As estatísticas de um país mergulhado na pobreza possui mais números dramáticos: um quinto dos jovens, na faixa etária entre os 20 e 25 anos, são considerados nanicos e aproxidamente 30 milhões de adolescentes apresentam grave carência alimentar. Estas informações sobre a qualidade de vida no Brasil foram constatadas pelo Estudo Nacional de Despesas de Familiares, produzido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mil pesquisadores pesaram a alimentação média de 55 mil famílias, abrangendo cientificamente todos os níveis de renda. Um dos fatos mais contundentes levantados na pesquisa foi o de uma família do interior paulista, cuja fome por carne era tão grande, que eram obrigados a comer carne de ratos. Em 1985, outra pesquisa realizada com 16.600 estudantes dos CIEPs localizados no Grande Rio, comparou os meninos, segundo padrões estabelecidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde), com crianças norte-americanas, de classe média. O trabalho mostrou que 34% dos alunos estavam 6 centímetros mais baixos que os nortea-meriacnos, e 27,5% eram nove quilos mais magros (JB).