COLLOR VOLTA COM APOIO DOS EUA PARA RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA

O secretário do Tesouro norte-americano, Nicholas Brady, anunciou ontem formalmente a disposição do governo dos EUA de apoiar o Brasil nas negociações sobre a dívida externa com o FMI (Fundo Monetário Internacional), os bancos e os credores oficiais. A reunião do presidente Fernando Collor com as autoridades econômicas norte-americanas, no café da manhã de ontem, e a aprovação, no Senado brasileiro, do acordo sobre os juros atrasados, garantiram o objetivo político imediato da viagem presidencial. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, que participou da reunião, foram superadas as divergências entre Brasília e Washington sobre o conceito de "capacidade de pagamento". Na opinião do ministro, apesar de a capacidade de pagamento estar vinculada ao crescimento econômico do país, há uma realidade da qual não se pode fugir: a regularização das relações com a comunidade financeira. "Sem ela, o Brasil não recebe divisas". O ministro assinalou que o país precisa de fluxos mais densos de investimentos. O presidente Fernando Collor retornou ontem ao Brasil. O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, porém, continuou nos EUA negociando a dívida. Marcílio anunciou que o presidente Collor decidiu realizar novos ajustes econômicos, para que o Brasil possa se beneficiar do Plano Brady-- que prevê a redução do volume da dívida. Segundo o ministro da Economia, os ajustes, que não foram especificados, serão um aprofundamento das reformas conjunturais aplicadas no ano passado. O ministro admitiu que o esforço do país para pagar a dívida deverá implicar, num primeiro momento, a emissão de moeda (O ESP) (JC) (JB).