Um dos autores do documento da ESG (Escola Superior de Guerra) que aborda a questão da segurança pública e da criança abandonada, base de um panfleto que vem circulando em quartéis e algumas instituições civis de São Paulo, o capitão-de-mar-e-guerra Sérgio Porto da Luz negou ontem que o texto proponha a eliminação de meninos de rua pelas Forças Armadas, como forma de evitar a criação de uma "horda de bandidos" que poderá ameaçar o país no ano 2000. "Não se pretende resolver de modo definitivo os grandes problemas brasileiros pela eliminação das consequências, é preciso eliminar as causas". Em sua opinião, a solução é "evitar que os pais abandonem as crianças e que elas fiquem sem escolas". O comandante, que faz parte do corpo permanente da ESG, explicou que os termos "neutralizar" e destruir utilizados no texto em referência às crianças abandonadas fazem parte da linguagem usada normalmente pelo militares. Luz garante que eles não significam extermínio. "Colocar a tropa para eliminar menores abandonados é uma possibilidade fora de cogitação pelas Forças Armadas", assegurou (JB).