Documento produzido em 1989 pela ESG (Escola Superior de Guerra), e então divulgado de forma restrita, manifesta a preocupação com "menores de rua transmutados em adultos bandidos" no início do próximo século, quando formariam "contingente de marginais, malfeitores e assassinos de efeito semelhante ao atual do Exército". Extratos desse documento circulam em quartéis de São Paulo, reproduzidos em panfleto anônimo. Um assessor da diretoria atual da ESG assegura que se trata de "pensamento acadêmico de um grupo, e não do pensamento da instituição". Os anônimos autores do panfleto informam que o texto é extraído do documento "1990- 2000, a década vital por um Brasil moderno e democrático", produzido pela ESG. Militares da ESG, no entanto, acreditam que o panfleto foi feito por um grupo que se esconde sob o título de "Paz" e que nada tem a ver com a instituição. O documento prevê um futuro assustador e conclui que convém impedir que tal cenário se concretize, sugerindo que as Forças Armadas "poderão desde logo cooperar com as autoridades e a sociedade para a solução deste problema" (os menores de rua). O panfleto trata as crianças abandonadas como futura "horda de bandidos" e alerta para o fato de que os "poderes constituídos poderão pedir o concurso das Forças Armadas para que se incubam do duro encargo de neutralizá-los e, mesmo, destruí-los, para ser mantida a lei e a ordem" (JB).