COLLOR OUVE DE BUSH PROMESSA DE AJUDA

O presidente Fernando Collor propôs ontem, em discurso na presença do presidente norte-americano George Bush, o estabelecimento de relações comerciais mais amistosas e o fim dos "problemas da dívida" entre o Brasil e os EUA. Depois, os dois presidentes examinaram, a sós, a situação do continente. Em seguida, tiveram uma reunião de trabalho com assessores. Segundo o secretário de Estado adjunto para a América Latina, Bernard Aronson, Bush convidou Collor a apresentar suas prioridades e dizer como os EUA podem ajudá-lo. Mas o presidente norte-americano deixou claro, no discurso de boas-vindas, que o auxílio dependerá da disposição do governo brasileiro de privatizar estatais, controlar a inflação e liberalizar o comércio. Os EUA condicionam a ajuda ao ajuste econômico do país. No início da noite, o presidente Fernando Collor fez um discurso no Washington Exchange, o principal foro de debate sobre as questões econômicas latino-americanas. Os principais trechos são os seguintes: -- "O desenvolvimento auto-sustentado, que conjuga o domínio científico e tecnológico com o respeito ao meio ambiente, em moldura social harmônica, tornou-se um imperativo da era moderna". -- "Ganha terreno a percepção de que a principal ameaça à paz mundial é a distância crescente entre as nações desenvolvidas e as sociedades que ainda experimentam profundas carências materiais". -- "Se não fizermos uma opção pela racionalidade, se não adotarmos o desenvolvimento global como meta comum, estaremos construindo um mundo em que será necessário erguer novos muros, dessa feita para deter o avanço das massas destituídas, muros cujas fundações não mais se assentarão sobre bases ideológicas, mas, sim, sociais, econômicas e culturais". -- "Passados quinze meses desde o início de meu mandato, demonstramos na prática a consciência do propósito de liderar a transformação do país, mediante a criação de condições para eliminar definitivamente o espectro da hiperinflação, para promover o saneamento financeiro e operacional do setor público, e para encaminhar uma série de mudanças estruturais que viabilizem uma economia moderna, dinâmica e produtiva, essencial para a consolidação do processo de estabilização" (O ESP) (JC) (FSP).