A atuação do Estado nas regiões de conflitos de terra, quando existe, é deficiente, conflitante e dispersa. A afirmação consta de relatório elaborado pelo procurador da República, Álvaro Augusto Ribeiro Costa, relator do inquérito do CDDPH (Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) sobre a violência no campo. Resultado de depoimentos de entidades públicas e particulares envolvidas na questão da terra, o relatório preliminar concluiu que "a concentração fundiária é tanto maior quanto maior seja o número, aparentemente consequente, de conflitos". Segundo o procurador, o Estado muitas vezes é omisso, deficiente e conflitante nas áreas onde atua. "O poder público, que promoveu as migrações, nada fez, ou quase nada fez, para administrar os conflitos que elas geraram", diz o relatório. Numa crítica à UDR (União Democrática Ruralista)-- que justifica a violência como uma reação de fazendeiros às ocupações de terra--, Álvaro Costa afirmou que somente uma simplificação grosseira poderia atribuir às ocupações o papel de causa dos conflitos (O Globo).