BRASIL TEVE MIL MORTES DE LAVRADORES DESDE 1980

A América Latina continua sendo a região mais perigosa do mundo para os sindicalistas. A conclusão consta de relatório da Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres (CIOSL), divulgado ontem em Genebra (Suíça), durante a reunião da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Segundo o relatório, na defesa dos interesses dos trabalhadores 264 sindicalistas foram assassinados e 2.240 presos, em 72 países, entre janeiro de 1990 e março de 1991. Mais de 200 dos líderes mortos viviam na América Latina. No Brasil, afirma a publicação, mais de mil lavradores foram exterminados desde 1980. De acordo com a CIOSL, que congrega 144 centrais sindicais em 101 países, representando 100 milhões de trabalhadores, os maiores responsáveis pela violência nesse período foram os regimes ditatoriais, a polícia, o Exército, os esquadrões da morte e os pistoleiros a mando dos donos de terra ou de "barões" do narcotráfico. No caso do Brasil, o relatório cita especialmente os latifundiários e o "draconiano sistema de ajuste econômico do presidente Fernando Collor, que infringe graves violações aos direitos sindicais" (JB).