O coordenador regional do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua no Rio de Janeiro, Volmer do Nascimento, apresentou ontem, na CPI da Câmara dos Deputados que investiga a violência contra crianças e adolescentes em todo o país, o quadro dramático da situação no Rio, onde, este ano, foram assassinados 180 jovens, na faixa dos 13 a 18 anos, sendo que 70% do total refere-se a adolescentes do sexo masculino. Volmer do Nascimento disse também que na Baixada Fluminense existem 15 grupos de extermínio, dos quais fazem parte 55 pessoas. A promotora Tânia Maria Salles, da 5a. Vara Criminal de Duque de Caxias (RJ), fez sérias denúncias relacionadas à violência. Segundo ela, pelo menos três empresas de vigilância que atuam na região são dirigidas por grupos de extermínio. A promotora citou a empresa de vigilância Jeans, que tem no comando o ex-cabo da PM Jorge Oliveira de Souza; a SDS Serviços Gerais Ltda., pertencente a Antônio Camilo de Lima; e o grupo Guarda Noturna, dirigida por Ivo dos Santos Silva. As três empresas, segundo a promotora, têm ligações estreitas com grupos de extermínio. A promotora denunciou também o envolvimento de funcionários da Justiça fluminense no acobertamento de crimes de extermínio. Citou o caso de João Pedro Bueno, que é apontado pela Polícia Federal como responsável por cerca de 70% dos crimes contra menores na Baixada Fluminense (JC) (FSP) (O Globo).