O IBGE anunciou ontem que a variação do índice da cesta básica, que compõe o IRSM (Índice de Reajuste do Salário-Mínimo), entre março e maio, cresceu 10,58%. O valor nominal passou de Cr$29,6 mil para Cr$32,7 mil. Os novos valores acrescentam Cr$3.131,68 ao menor salário-mínimo do país, que passa a ser de Cr$23.131,68 entre maio e julho. Além da variação da cesta básica, o novo mínimo, fixado ontem em portaria do ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, recebeu o abono fixo de Cr$3 mil, que vem sendo pago desde abril. O reajute total será de 15,66% sobre o salário de abril. O novo salário-mínimo corresponde, portanto, ao salário-mínimo anterior de Cr$17 mil, somado ao abono fixo de Cr$3 mil mais o valor de Cr$3.131,68 correspondente ao abono variável calculado sobre o novo índice da cesta básica. A portaria determina que a diferença do abono variável (Cr$3.131,68) deve ser paga pelas empresas aos trabalhadores até 15 de junho. Os outros Cr$20 mil já foram pagos até o quinto dia útil deste mês. Todos os outros salários da economia, independente do valor, terão direito ao abono. Segundo o que determinou a portaria, todos os salários terão direito ao abono de Cr$3.131,68, ou a um valor correspondente a 10% do salário, adotando-se o maior, desde que o número final da gratificação não ultrapasse Cr$17 mil. O abono será o mesmo, Cr$6.131,68 (fixo e variável), para quem ganha até Cr$61.316,80. Para quem ganha mais do que isto, vale o abono de 10% do salário até o limite de Cr$170 mil. Quem ganha Cr$150 mil, por exemplo, terá um abono de Cr$15 mil. Para todos os salários acima de Cr$170 mil, o abono é de Cr$17 mil. Assim, quem ganha Cr$170 mil por mês receberá, a partir de primeiro de maio até julho, um abono de Cr$17 mil. Outro que receba Cr$1 milhão, receberá os mesmos Cr$17 mil. Com o abono anunciado ontem, o salário-mínimo passou a valer US$81,16, levando-se em consideração a cotação comercial do dólar no dia 31 de maio. Hoje, o salário-mínimo compra US$70,08. A variação da cesta básica, de 10,58% nos últimos três meses e que serve de base para a correção do mínimo, espantou os técnicos do DIEESE. Não esperávamos um índice acima de 20%, como chegou a ser cogitado, mas
38588 o número anunciado é ridículo, comentou Maurício Soares, coordenador de pesquisas do DIEESE. O DIEESE informou que de março de 1988 até março deste ano, o salário-mínimo variou 24,9% abaixo da inflação, enquanto a faixa referente a 25% dos salários mais altos da Grande São Paulo perdeu outros 23,9% para o custo de vida (O ESP) (GM) (O Globo).