Dez auditores do Tesouro Nacional estão, desde o início de maio, vasculhando os armazéns do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) no Paraná, apurando denúncias de roubos e fraudes que teriam resultado no desaparecimento de 20% do estoque de café do governo federal. Até agora, os auditores nada encontraram, mas segundo o agrônomo Luiz Carlos Martins, representante do inventariante do IBC no Paraná, ficou muito difícil controlar qualquer coisa no Instituto depois de sua extinção, devido ao reduzido de funcionários. No Paraná, estão 11 milhões das 17 milhões de sacas que o Brasil tem estocadas. Entre as denúncias em apuração, estão as de substituição do café estocado por outro de qualidade inferior; trocas de duas sacas por uma; e até um incêndio criminoso, em Ivaiporã, para encobrir o desaparecimento de parte das quase cem mil sacas estocadas no local. A situação do espólio do IBC é agravada ainda por uma grande quantidade de dívidas, que poderão incluir US$240 milhões reclamados por exportadores de café e US$300 milhões que estão sendo cobrados na Justiça por companhias inglesas, ambos como indenização pela frustrada Operação Patrícia, de 1986. O IBC também é alvo de 1.200 ações trabalhistas, cujo valor ainda não foi calculado (O Globo).