Em fevereiro de 1988, o governo brasileiro rejeitou proposta de compras de armas da Líbia, no valor de US$1 bilhão, apesar de as exportações de material bélico, na época, apresentarem seu mais baixo nível desde a década de 70. A decisão foi tomada por pressão do Departamento de Estado americano, apesar dos argumentos do então embaixador do Brasil, em Washington, Marcílio Marques Moreira, favorável à venda. Este é apenas um dos segredos da indústria bélica brasileira revelados num livro do professor de Assuntos Latino-Americanos do Departamento de Segurança Nacional da Academia Naval, na Califórnia, Scott D. Tollefson, que será publicado no final deste ano. O estudo foi apresentado numa tese de doutorado na Universidade John Hopkins. No trecho em que analisa as exportações de armas em face da política externa, Tollefson conclui que "a principal preocupação do Brasil em vender armas tem sido econômicas, sem procurar influir na política interna dos países", citando como exceção o caso do Suriname (JB).