O Projeto Calha Norte, prioritário no governo Sarney, está sendo desacelerado paulatinamente pelo governo Collor, à espera de que o projeto de zoneamento ecológico e econômico da Amazônia fique pronto e forneça novos dados para a ocupação territorial daquela região. A informação foi dada ontem pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Paulo Leoni Ramos, em depoimento na Comissão de Defesa Nacional do Congresso Nacional. Leoni frisou que o projeto perderá a ênfase dada à segurança nacional em sua criação. O Projeto Calha Norte, elaborado pelo extinto CSN (Conselho de Segurança Nacional) e coordenado pelo Exército, veio a público em outubro de 1986, quando o então presidente José Sarney liberou Cz$99 milhões (a moeda da época) para a sua implantação ao longo da fronteira norte da Amazônia. Em 1987 foram liberados mais Cz$340 milhões. Além de ocupar a área com a transferência de população civil, o Calha Norte também visa a combater o narcotráfico e a evasão de divisas na região, através do contrabando de metais e pedras preciosas. O secretário de Assuntos Estratégicos afirmou ainda que o Brasil vai precisar "disciplinar" suas vendas de equipamentos "sensíveis" ao Terceiro Mundo para conseguir "credibilidade adicional" no exterior e ter "acesso a produtos e tecnologias indispensáveis à inserção do país no Primeiro Mundo". Por produtos "sensíveis" devem ser entendidos armamentos com tecnologia de ponta-- como mísseis-- e outros equipamentos sofisticados, do setor de informática, por exemplo (O Globo) (FSP).