DESCOBERTA DA AIDS FAZ 10 ANOS

Há 10 anos, no dia cinco de junho de 1981, o Centro de Controle de Doenças dos EUA anunciava pela primeira vez o aparecimento de uma enfermidade misteriosa-- a AIDS-- que atingia cinco homossexuais em Los Angeles. Um mês depois, as vítimas eram 36, começando a escalada que atingiria 1,5 milhão de pessoas no mundo, entre as que já manifestaram a doença e portadores do vírus. Nesses 10 anos, o mundo está aprendendo a conviver com a AIDS. A doença tende a se tornar controlável, por meio do uso adequado de novos medicamentos, ministrados antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos do mal. A afirmação, que representa uma esperança de sobrevida relativamente longa para cerca de 200 mil pessoas contaminadas pelo vírus, apenas no Estado de São Paulo, é do médico André Lomar, do Hospital Emílio Ribas. Lomar costuma citar para seus clientes uma frase do sociólogo e secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Herbert de Souza, hemofílico e portador do vírus da doença. Herbert diz que durante muitos anos teve de se preparar para morrer, sabendo que a doença ia chegar, e agora está reaprendendo a viver. Na mesma linha de pensamento, os especialistas franceses acabam de pedir a reclassificação da AIDS. Hoje, a França considera a AIDS uma "doença infecciosa fatal", e o pedido dos cientistas é que ela passe oficialmente a ser considerada como "moléstia crônica degenerativa" (O ESP).