O TRÁFICO E ASSASSINATOS DE MENORES NO BRASIL

Cerca de três mil crianças deixam o país clandestinamente a cada ano, enquanto apenas 1.500 são adotadas legalmente por estrangeiros. As informações constam do relatório elaborado pela Associação de Planejamento, Pesquisa e Análise do Departamento de Ordem Política e Social (APPA-DOPS), da Polícia Federal. A Itália recebe 50% das crianças traficadas, seguindo-se a França, com 30%; EUA, 6%; Israel, 4%; Bélgica, 3%; Holanda, 2,5%; Suécia; 2,3%; e Alemanha, 2,2%, informa o relatório. O tráfico de crianças envolve quantias entre US$8 mil e US$20 mil (de Cr$2,2 milhões a Cr$5,7 milhões, ao câmbio paralelo). "As crianças brancas e de olhos claros têm cotação maior", observa o relatório. O relatório da APPA-DOPS informa também que, nos últimos três anos, a violência contra o menor no Brasil deixou 4.611 mortos. Os números indicam extermínio crescente de menores nas metrópoles. Em 1988, foram mortas 449 crianças em São Paulo; em 1989, esse total subiu para 783; em 1990 atingiu 918. O crescimento foi de 104% e os assassinatos somaram 2.150. No Rio de Janeiro, no mesmo período, os totais da violência foram os seguintes: 294, 445 e 492 (crescimento de 67% e 1.231 assassinatos). No Recife (PE), a contabilidade foi de 113, 85 e 127. Em todo o país, os crimes contra os menores aumentaram 75,32%. A forma mais usada de matar as crianças foi a arma de fogo (51,83%). O relatório foi feito a partir de dados fornecidos pelas Polícias estaduais, Ministérios da Saúde e da Ação Social e outros coletados pela própria APPA. De acordo com o relatório, são 45 milhões de menores vivendo em condições sub-humanas em todo o país, 25 milhões sofrendo de desnutrição crônica, 10 milhões obrigados ao trabalho precoce, sete milhões de deficientes físicos e mentais e milhares de vítimas de maus- tratos, mutiladas em acidentes de trabalho ou mortas em meio à violência das grandes cidades. A renda familiar de 54% dessas crianças e adolescentes é de meio salário-mínimo (Cr$8,5 mil); outras 30% vivem em pobreza absoluta, com apenas 1/4 do salário-mínimo (Cr$4,25 mil) (O ESP) (JC) (O Dia).