CPT DIZ QUE REFORMA AGRÁRIA DE COLLOR É "MARKETING POLÍTICO"

O presidente da CPT (Comissão Pastoral da Terra), dom Augusto Alves da Rocha, acusou ontem o governo de transformar a reforma agrária em "mais um item do marketing político", com o anúncio de "metas irreais" e de desapropriar áreas que mais tarde serão retomadas pelos proprietários. Segundo ele, a promessa do presidente Collor de assentar 100 mil famílias este ano, vai depender de uma total mudança do comportamento político e da própria legislação, que ajuda o proprietário a impedir a desapropriação através dos mais variados artifícios. "Basta colocar 10 vacas em 10 mil hectares de terra e plantar uma mangueira para alegar que aquela área tem função social e com isto impedir a desapropriação", contou. Dom Augusto foi o primeiro a depor, ontem, em Brasília, nas audiências promovidas pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para apurar as causas da violência rural no país. O presidente do Movimento de Direitos Humanos, Augustinho Veit, denunciou a militarização da Amazônia e, consequentemente, o impedimento para a realização da reforma agrária. "O Exército possui 10 milhões de hectares, notadamente, em áreas de conflitos de terra", afirmou. Veit também culpou o Judiciário, que estaria ignorando a situação de violência existente em quase todo o país, e pediu a punição de pistoleiros, mandantes e outros cúmplices dos assassinatos de sindicalistas e trabalhadores rurais (JC).