ECONOMIA DO BRASIL CAI PARA O 11o. LUGAR

A recessão rebaixou o Brasil na lista das maiores economias do mundo. Em 1989, o país ocupava a décima posição no "ranking" mundial. O impacto da política recessiva encolheu a economia brasileira 6,87% de abril de 1990 a março de 1991, em comparação com o período anterior. O impacto derrubou o país para a décima-primeira colocação entre as potências econômicas mundiais, considerando-se a URSS. A Espanha ultrapassou o Brasil. A avaliação ainda não foi feita por nenhuma entidade oficial, como a Organização das Nações Unidas (ONU) ou o Banco Mundial (BIRD). Mas o resultado já dá o tom das conversas de empresários. Não apenas pelos problemas recentes, devemos ir nos acostumando com a
38392 repetição de índices negativos nos registros de organismos
38392 internacionais, diz o empresário Wolfgang Sauer, ex-presidente da Autolatina. Em palestra reservada a empresários da Associação Brasileira da Indústria de Fundição (ABIFA) em São Paulo, esta semana, Sauer mencionou a queda do Brasil em 1990 na classificação das maiores economias do mundo. Mas Sauer falou em rebaixamento do oitavo para o 11o. lugar. A oitava colocação era utilizada nos discursos oficiais sem considerar os países comunistas, especificamente URSS e China. De qualquer forma, a avaliação gera controvérsia. Segundo o "Atlas-1990" do Banco Mundial, o Brasil ocupou a nona colocação em 1988 e 1989, com um Produto Nacional Bruto (PNB) de US$309,9 bilhões e US$375,1 bilhões, respectivamente. A União Soviética não envia dados ao BIRD. A corretora Salomon Brothers estimou o PNB da URSS em US$1,492 trilhão em 1989, número não reconhecido por entidades internacionais. Essas entidades, como o BIRD, utilizam o PNB ao invés do PIB (Produto Interno Bruto) porque o Produto Nacional Bruto representa com maior fidelidade a riqueza de um país. O PIB mostra a produção total. O PNB indica o valor do PIB que permaneceu "nacional". Ou seja, o PNB subtrai do PIB a renda enviada ao exterior. Em 1988 e 1989, o PNB da Espanha foi de US$302,1 bilhões e de US$358,3 bilhões, pelo levantamento do BIRD. A Espanha cresceu 3,7% em 1990, o que elevaria seu PNB para US$372 bilhões em 1990 (valores de 1989), aplicando- se a variação do PNB ao dado obtido pelo Banco Mundial em 89. Pela mesma conta, mas com a queda de 4,6% do PIB em 1990, o Produto Nacional Bruto brasileiro encolheu para US$358 bilhões. Trata-se, portanto, de uma comparação com base em valores de 89. As quedas do PIB e do PNB brasileiro em 1990 foram parecidas porque as taxas de juros internacionais-- que determinariam maior fuga de dinheiro ao exterior-- tiveram pequena variação, explica o economista Arno Meyer, do Instituto de Economia do Setor Público (IESP) de São Paulo. No primeiro trimestre de 1991, o empobrecimento brasileiro se acelerou, com o PIB caindo 6,87%. A Espanha continuou crescendo 3,4%. O confronto com o PIB seria ainda mais desfavorável ao Brasil. Já em 1989, o PIB espanhol era de US$376,3 bilhões. Também em 89, o PIB brasileiro foi de US$303,4 bilhões, segundo cálculos do Banco Central, pelo valor do dólar corrente em 1989 (FSP).