A investigação que o Departamento de Polícia Federal, por solicitação da Procuradoria da República, vem realizando a respeito do recente escândalo que abalou o mercado do café, estão sendo conduzidas em direção equivocada, a julgar pelas informações fornecidas à imprensa nos últimos dias pelo diretor do órgão, o delegado Romeu Tuma. Isto porque, ao concentrar as investigações no vazamento da informação de que o governo iria suspender os registros de exportação de café-- medida determinada através de portaria da ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, em 21 de março--, o DPF se afasta do aspecto mais grave do episódio: a longa preparação do golpe, durante pelo menos dois meses, de que a suspensão dos registros foi apenas o ato final. Ao solicitar a investigação da Polícia Federal, a Procuradoria da República encaminhou a lista de investigadores que realizaram operações acima do normal na Bolsa de Nova Iorque, recebida do Ministério da Economia, como última iniciativa administrativa da então ministra Zélia Cardoso de Mello. Simultaneamente, a ex-ministra enviou uma cópia do mesmo documento ao então secretário da Receita Federal, Romeu Tuma, para que se apurasse se as declarações de Imposto de Renda dos envolvidos abrigaria a titularidade em dólares que os habilitasse a ordenar compras naquela bolsa. Zélia Cardoso de Mello cercou de cuidados especiais o envio das duas cópias. Ambos os envelopes estavam lacrados e continham diversas rubricas da ministra, a fim de garantir a inviolabilidade até chegarem aos respectivos destinos (JC).