A CUT (Central Única dos Trabalhadores) estimou ontem em 19,5 milhões o número de pessoas que aderiram à greve geral dos dias 22 e 23, convocada pela entidade e pelas duas CGTs (Central e Confederação Geral dos Trabalhadores). O presidente da CUT, Jair Meneghelli, negou que esse resultado represente um enfraquecimento em relação aos 35 milhões que a própria CUT avaliou como o número de trabalhadores parados na greve geral de 1989. "Era outra conjuntura e o sucesso dessa greve se mede pelo fato de ter havido paralisações em todo o país, não se mede pelos números", disse. As entidades sindicais pretendem, agora, centrar esforços na questão do salário-mínimo. A intenção é pressionar o Congresso Nacional a aprovar um mínimo de Cr$47 mil para todos os trabalhadores e lutar para que o presidente Collor não o derrube. A Polícia Federal informou que durante a greve foram registradas 103 prisões, mais de 200 ônibus depredados e 14 pessoas feridas. O ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, disse que a "greve fracassou porque não houve motivação que a justificasse". Para ele, os líderes sindicais, frente ao fracasso, "passaram a se utilizar da violência". A CNI (Confederação Nacional da Indústria) fez um levantamento em todos os estados sobre os efeitos da greve geral e concluiu que a indústria não foi afetada em nada. Nos locais onde houve problemas de transporte, as empresas colocaram ônibus à disposição dos empregados. Em Belo Horizonte (MG), o presidente da CUT regional, Carlos Calazans, disse que as disputas internas tiveram um componente forte para o fracasso da greve geral. "As disputas estão extrapolando a ética e vão acabar pulverizando a central". Calazans é integrante da CUT pela base, uma das tendências da Central. O presidente da CUT do Rio de Janeiro considerou o movimento "vitorioso pela manifestação nacional que significou". Em anúncio veiculado ontem pela TV, o presidente da CUT, Jair Meneghelli, disse que os trabalhadores "realizaram greve histórica em nosso país. Pacífica, organizada, corajosa e política. Política porque conseguimos atingir o objetivo de mostrar a insatisfação de todos os brasileiros contra a recessão". A CUT gastou Cr$120 milhões para promover a greve, Cr$56 milhões dos quais destinados apenas à mídia eletrônica (FSP) (GM) (O Globo).