O SEGUNDO DIA DA GREVE GERAL

O segundo e último dia da greve geral convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e pelas CGTs (Central e Confederação Geral dos Trabalhadores) confirmou a baixa adesão ao movimento verificada no primeiro dia em todo país. A greve limitou-se novamente ao setor de transporte, com o retorno ao trabalho das categorias que aderiram à paralisação do primeiro dia, e trabalhadores que já estavam em greve e permanecem a patir de hoje. Somente na Paraíba a greve, nos dois dias, foi praticamente total. A adesão dos rodoviários foi de 100% e as agências bancárias da capital João Pessoa não funcionaram. Mais uma vez também a ação dos policiais foi violenta contra piqueteiros e populares. O presidente da CUT, Jair Meneghelli, disse que "faltou empenho" das lideranças sindicais na organização da greve geral. "É verdade que o nível de adesão não foi o desejado. Acreditamos mesmo que os números desta greve foram inferiores aos de 89. Mas não dá para falar em fracasso: o nosso objetivo era fustigar o governo, e isso nós conseguimos", afirmou. Os prejuízos causados pela greve geral de dois dias em todo o país podem ter alcançado a casa dos US$150 milhões. A estimativa é do economista e presidente da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), André Franco Montoro Filho, levando em consideração que a greve foi parcial e concentrada nos grandes centros urbanos. Ele definiu o PIB (Produto Interno Bruto) diário do Brasil em US$1,5 bilhão, sendo metade em salários. Nos dois dias, portanto, só a renda do trabalho chegou a US$1,5 bilhão. O aumento do tempo de locomoção de casa ao trabalho, estimou Montoro Filho, deve ter dizimado algo como 10% da remuneração do trabalho no PIB, o que significaria prejuízos de US$150 milhões. Em Brasília, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, disse que o presidente da CUT "deve ir à televisão pedir desculpas à sociedade por causa dessa greve fracassada". No Paraná, o ato de encerramento da greve foi antecipado em três horas em função da pouca adesão ao movimento. Em Campinas (SP), a CUT cancelou uma passeata por causa da pouca adesão. Na capital São Paulo, uma passeata com as lideranças do movimento provocou o fechamento do comércio. Cinco pessoas foram presas e 10 ficaram feridas em confronto de estudantes e funcionários da USP (Universidade de São Paulo) com a PM. O transporte funcionou com apenas 55% de sua capacidade. Em Alagoas, o presidente da CUT regional, Evaldo Moreira, foi preso acusado de atirar em um ônibus. Moreira foi liberado cinco horas depois. Em Goiânia (GO), o presidente Collor foi "velado" nos dois dias da greve. Um caixão roxo, que custou Cr$9 mil, pago pela CUT, circulou em vários pontos da cidade. No Acre, cerca de 15 mil trabalhadores participaram da greve. O maior índice de adesão (90%) foi dos bancários e professores estaduais. No Sergipe, oito sindicalistas foram presos na capital Aracaju. A adesão ao movimento, segundo a CUT, atingiu 40% dos trabalhadores. No Rio de Janeiro, onde ônibus, barcas e metrô funcionaram normalmente, quatro sindicalistas foram presos, quando tentavam interditar a Av. Brasil queimando pneus. Em Niterói (RJ), que praticamente parou no primeiro dia da greve, 18 ônibus foram apedrejados. Em Brasília não foram registradas ocorrências policiais. Cerca de 45% dos servidores públicos aderiram ao movimento e 70% dos professores. Comércio e bancos funcionaram normalmente. Em Belo Horizonte (MG), também não foram registradas ocorrências de pessoas feridas ou presas. Cinco ônibus foram depredados e 40% do pessoal da Educação aderiu ao movimento. Em Salvador (BA), policiais militares reprimiram com violência um ato em frente a um banco. Usando bombas de gás lacrimogêneo e cães amestrados, a PM espancou o fotógrafo Emanuel Dias, da "Folha de S.Paulo". Em Porto Alegre e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, soldados da Brigada Militar impediram a circulação de carros de som e prenderam 11 pessoas. Seis pessoas ficaram feridas nos confrontos. Em Pernambuco a greve teve a adesão de cerca de 140 mil trabalhadores. Na capital Recife um ato público reuniu mil pessoas. Nos demais estados o último dia da greve foi parcial. As principais adesões foram dos servidores públicos estaduais e municipais e rodoviários. Também foram registradas prisões e feridos em confrontos com as polícias (FSP) (JB) (GM).