O PRIMEIRO DIA DA GREVE GERAL

A greve geral convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e pelas CGTs (Central e Confederação Geral dos Trabalhadores) para ontem e hoje não foi total nem nacional em seu primeiro dia. O movimento usou a tática de tentar paralisar os transportes. Cerca de 11,5 milhões de pessoas no país ficaram sem condução, mas o trabalho foi parcialmente normal em quase todas as categorias. As centrais sindicais negaram o fracasso do movimento. Mas, num pequeno balanço divulgado pelos sindicalistas, o que se confirmou foi a paralisação quase completa dos transportes. "Nosso objetivo foi atingido", disse o presidente da CUT, Jair Meneghelli. Para ele, a idéia não era fazer uma greve sindical, mas sim política. Queríamos que a população participasse e isso aconteceu, afirmou. Em Brasília, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, disse que "não houve nenhuma greve, mas sim um conjunto de incidentes violentos patrocinados pela CUT". Segundo ele, a Central gastou Cr$200 milhões com a propaganda de convocação da greve geral. O dinheiro, disse, foi extraído da contribuição sindical descontada anualmente do salário dos empregados. A seu ver, esse dinheiro, "que é do trabalhador, poderia estar sendo utilizado em benefício dele e não para os objetivos políticos da CUT". Para o presidente Fernando Collor, "o fracasso desta greve mostra como a oposição está perdida, sem bandeiras". Em São Bernardo do Campo (SP), o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Vicente Paulo da Silva, o "Vicentinho", admitiu que a entidade não se empenhou para a convocação da greve geral. Ele liderou uma passeata de protesto que acabou com a convocação para que os operários retornassem ao trabalho. Em vários estados a ação da Polícia Militar reprimiu manifestantes e piqueteiros. Cerca de 117 pessoas foram presas em todo país durante as manifestações. Para o segundo dia de greve, hoje, as centrais pretendem intensificar as ações que fizeram ontem, como piquetes, arrastões e manifestações. A seguir um balanço parcial da greve nos estados: São Paulo-- os transportes pararam, bancos e comércio funcionaram parcialmente e os servidores da Saúde e Educação aderiram à greve. Vinte pessoas foram presas e 226 ônibus depredados. Rio de Janeiro-- a paralisação dos ônibus foi parcial. Os metroviários desistiram da greve no início da tarde e as barcas não funcionaram; 250 ônibus depredados (50 no Município de Niterói). O comércio funcionou e os bancos também; 43 pessoas foram presas (todas liberadas), dois estudantes ficaram feridos em confronto com a PM. Brasília-- a greve foi parcial. No governo federal 17% dos funcionários deixaram de ir ao trabalho. Na cidade nenhuma categoria parou completamente. Dois mil bancários fizeram paralisação de uma hora. Minas Gerais-- representantes da CUT admitiram que a paralisação atingiu pequenos segmentos de poucas categorias. Menos de 20% de um total de sete milhões de trabalhadores aderiram ao movimento. Foram registradas cinco prisões e 14 ônibus depredados. Paraná-- a CUT também admitiu que apenas 20% dos trabalhadores no estado aderiram à greve. Na capital Curitiba a paralisação atingiu 10%. A adesão foi maior entre os professores. Os ônibus pararam por uma hora; 20 deles foram depredados. O trabalho nas indústrias foi normal. Rio Grande do Sul-- a greve foh parcial. Em Porto Alegre, a adesão maior foi das categorias que já estavam em greve, como professores, ônibus e trens metropolitanos. Três pessoas ficaram feridas com a repressão da PM e uma prisão foi registrada. O comércio e os bancos funcionaram. Bahia-- cerca de 70% dos trabalhadores de Salvador aderiram à greve. Os ônibus circularam parcialmente escoltados pela Polícia; 25 pessoas foram presas e 10 ficaram feridas com a ação da PM. Paraíba-- ônibus e bancos pararam em Campina Grande, segunda maior cidade do estado. Na capital João Pessoa o comércio fechou e os ônibus pararam; 12 carros foram depredados. Seis pessoas ficaram feridas e duas foram presas. Alagoas-- cerca de 50% dos ônibus urbanos e interurbanos pararam; 30 foram depredados. Os professores pararam. Houve cinco feridos em confrontos com a Polícia e uma prisão foi registrada. Amazonas-- os metalúrgicos de Manaus não pararam. Apenas alguns servidores federais aderiram ao movimento. Foram registradas três prisões e apreendidos três carros sindicais. A PM colocou dois mil homens nas ruas. Pará-- quase a totalidade dos ônibus de Belém parou. Os bancos funcionaram parcialmente e o comércio fechou. Um ônibus foi depredado. Maranhão-- 40% dos trabalhadores de São Luís parou. Os ônibus também. Comércio e bancos funcionaram parcialmente. Oito ônibus foram depredados. Santa Catarina-- mais de 40 pessoas ficaram feridas em Florianópolis e 10 foram presas. O comércio fechou e o transporte funcionou. A maior adesão foi dos servidores públicos. Espírito Santo-- a paralisação limitou-se à área central de Vitória, onde o comércio e os bancos fecharam. O governador Albuíno Azeredo (PDT) apoiou a greve e liberou os funcionários públicos. Foram registradas cinco prisões. Nos demais estados a greve foi parcial, com maior expressividade nos setores de transporte e serviços públicos (O Globo) (JB) (FSP) (JC) (O ESP).