O secretário-geral da CUT, Gilmar Carneiro, disse ontem para cerca de mil trabalhadores que na madrugada de amanhã, primeiro dia da greve geral, os piqueteiros deverão "usar a imaginação para furar pneus de ônibus e, se necessário, tirar motorista no tapa", para garantir o sucesso do movimento. Carneiro fez essa declaração em ato público na Praça da Sé, em São Paulo, depois de uma passeata. As CGTs (Central e Confederação Geral dos Trabalhadores) também participaram da manifestação. A greve geral não vai contar com a participação dos 180 mil metalúrgicos do ABCD paulista, nem com os metalúrgicos de Osasco, Guarulhos e São Paulo. A categoria, que historicamente atua como carro-chefe das paralisações, acaba de sair de um período desgastante de greves estratégicas que chegaram a durar até 36 dias. Por isso, vai se limitar à realização de atos de protesto. Também os oito mil motoristas da região decidiram não aderir à greve. Os rodoviários de São Paulo (capital), no entanto, decidiram aderir ao movimento. A categoria reúne cerca de 50 mil trabalhadores. Em Curitiba (PR), os 12 mil metalúrgicos decidiram não aderir à greve, assim como os comerciários da cidade. A pauta de reivindicação da greve geral é a seguinte: --reposição de perdas salariais; =--política salarial com reajuste mensal da inflação integral para todos os setores, inclusive aposentados, pensionistas e trabalhadores rurais; --aumento real de salário e salário-mínimo do DIEESE; --estabilidade no emprego e seguro desemprego; --jornada máxima de 40 horas semanais; =--não à privatização das estatais e saneamento dessas empresas sob controle dos trabalhadores; --melhoria dos serviços públicos e valorização dos servidores; --melhoria dos serviços públicos; --readmissão dos demitidos e disponíveis em decorrência do Plano Collor; --reforma agrária sob controle dos trabalhadores, assentamento imediato dos acampados e política agrícola; --garantia de livre exercício sindical a partir do local de trabalho; =--contrato coletivo de Trabalho; e =--não Pagamento da dívida externa. Em Brasília, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, disse que a maioria dos trabalhadores não deve aderir à greve geral. Ele classificou a convocação como mais uma "tentativa frustrada" da CUT. No Rio de Janeiro, o governador Leonel Brizola (PDT), disse que sua posição quanto à paralisação é de "solidariedade aos trabalhadores com relação ao mérito, mas questionamos a oportunidade e a forma discriminatória e autoritária como estão fazendo esta greve". Brizola disse que não irá decretar ponto facultativo no estado nos dias 22 e 23. No Rio Grande do Sul, o governador Alceu Collares (PDT) afirmou apoiar a greve geral mas também negou abonar os dias de falta dos servidores (O ESP) (JC) (FSP).