Uma semana antes de pedir demissão do Ministério da Economia, a ex- ministra Zélia Cardoso de Mello recebeu do assessor João Carlos Camargo um envelope com a transcrição completa de duas conversas telefônicas. Na verdade, a ex-ministra já desconfiava de que era alvo de espionagem. Nos primeiros dias do governo Collor, Zélia percebeu que informações confidenciais transmitidas por telefone estavam vazando para o mercado. A ex-ministra chegou a trocar todo o equipamento telefônico de seu gabinete e pediu que a Polícia Federal fizesse uma varredura. Mas nada chegou a ser comprovado. As duas gravações nada tinham de comprometedor. Uma delas reproduzia uma conversa entre Zélia e seu irmão Emiliano, diretor comercial da SABESP, uma estatal do governo de São Paulo. A outra gravação reproduzia uma conversa entre Zélia e um homem que a ministra não quis identificar. O assunto era política e os dois falavam por código (JB).