O presidente Fernando Collor estabeleceu duas prioridades para o novo ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, que assume o cargo hoje: reduzir as tensões entre governo e empresariado nacional e imprimir mais velocidade na negociação da dívida externa. Na sua primeira entrevista, Marcílio aproveitou para mandar um recado ao empresariado: "O pior já passou", afirmou ontem, ao considerar superado o risco de uma hiperinflação e criadas as condições para a implantação efetiva de uma prática liberal. Ele assumiu o compromisso de superar os "resquícios de irritação" remanescentes da intervenção da equipe econômica no mercado, mas sem abrir mão da austeridade: "Em economia, há um contrabalançar entre cresccimento e inflação". Ele assegurou que o controle da inflação ainda é o objetivo principal. Marcílio garantiu que vai acelerar a negociação da dívida externa com os bancos, FMI e o Clube de Paris. O que pensa o novo ministro: cruzados bloqueados-- "não vou antecipar a devolução, que deve começar a partir de setembro. Mas garanto a devolução"; preços-- "a política de preços terá o curso normal que vinha sendo administrado pela ministra Zélia"; câmaras setoriais-- "fazem parte do desafio de saída não traumática da trégua de preços. Elas serão mantidas"; salários-- "ainda preciso conversar com o presidente Collor sobre o assunto. No entanto, a indexação em si não é boa"; dívida externa-- "o prazo para o acordo com os credores é o mais rápido possível"; capital estrangeiro-- "não sou partícipe da tese de que o Leste Europeu sugue todos os investimentos. Mas acredito que o Brasil será sempre um pólo de atração"; Congresso-- "uma das áreas a que darei atenção para tentar superar os resquícios de irritação que ficaram por conta da administração da crise" (O ESP) (JC).